o perdão que liberta

As pessoas inteligentes sabem como segurar a sua língua; a sua grandeza é PERDOAR e ESQUECER. Provérbios 19:11

Antes de escrever este post, perguntei a algumas pessoas o que é perdão e como se sentem quando precisam perdoar e serem perdoadas.

A experiência mais difícil sem dúvida, foi discutir esse assunto com o pai do meu filho. Escrevi outro post sobre o perdão e o submeti a ele. A resposta foi: “discordo 100%, mas se você quer escrever, não vou te impedir”. Conversamos, entendi a perspectiva dele e mudei meu pensamento. Essa troca me trouxe uma outra perspectiva sobre o tema.

Quando falamos sobre perdão, de cara já pensamos nas situações em que nós somos a vítima e o outro é o ofensor. É o que naturalmente acontece comigo. Meu pensamento imediato se volta para o que fizeram comigo e depois de algum tempo (pode ser pouco ou muito), passo a pensar no que eu fiz. E quando coloco na balança, em algumas situações começo a perceber que o ofensor sou eu e o outro é vítima.

No processo de separação, me senti muito vítima. Nunca antes desta conversa olhei a situação de forma diferente. Passei anos tratando de exercitar o perdão para com ele. E foi um processo longo.

No artigo A Maravilha do Perdão publicado na revista Vida & Saúde, Belisário Marques apresenta o processo do perdão segmentado em três aspectos: cognitivo, emocional e comportamental. Descrevo aqui de maneira muito resumida estes aspectos:

  • Cognitivo: está relacionado a fase de percepção da situação, análise, avaliação e decisão por uma alternativa. Podemos decidir pelo perdão ou não. Quando escolhemos perdoar, decidimos não levar por mais tempo um sofrimento e optamos por investir em nossa saúde.
  • Emocional: normalmente uma confusão emocional acontece, uma mistura de vários sentimentos como dor, raiva, medo, tristeza, solidão, desvalorização, medo de julgamento, culpa por fazer mal para o outro, vergonha, rejeição social, desejo de vingança… o perdão emocional envolve desenvolver um sentimento de compaixão pelo ofensor, exercitando o altruísmo em seu grau máximo.
  • Comportamental: é a evidência de que o perdão aconteceu verdadeiramente, pois há mudanças de atitudes e a harmonia interior é restabelecida.

Belisário ainda acrescenta que o ato de perdoar não remete a reconciliação obrigatoriamente, ou seja, perdoar não significa retomar as relações com os envolvidos. Exemplo é esse caso de separação em que houve o perdão, mas não houve a reconciliação. Cada um de nós direcionou sua vida por rumos diferentes.

Durante o período em que não consegui perdoar o pai do meu filho, estive ocupada em atingi-lo de alguma forma. Nunca falei mal do pai para o meu filho, mas tratei em vários momentos de impedir a aproximação deles. Essas atitudes me faziam sentir presa e sem condição de seguir em frente. Me ocupava com a raiva, vontade de vingança, medo de encarar a vida sem a presença dele, humilhação, rejeição social (preconceito mesmo) e por aí vai…

A situação começou a mudar quando, buscando conhecimento, me deparei com a informação de que a presença do pai na formação do filho é vital para o desenvolvimento de sua saúde emocional, ele estaria menos propenso a sentir-se só e teria menos dificuldades para reforçar a sua identidade sexual. Esse foi o aspecto cognitivo, quando entendi a situação e os impactos das minhas decisões sobre a minha vida, a vida do meu filho e do pai dele. Percebe como a abrangência do impacto é grande?

A partir deste entendimento, busquei a aproximação entre eles. Os efeitos para meu filho foram grandes. Ele fala do pai com orgulho e saudade. E hoje se relaciona muito bem com a vovó, os tios e os primos. Esse foi o aspecto comportamental, eu precisei mudar de atitude.

Em paralelo eu precisava aprender a lidar com as emoções que borbulhavam dentro de mim enquanto essas mudanças externas aconteciam. Continuava sentindo raiva e agora estava beneficiando o pai do meu menino. Não achava justo que no fim ele se desse bem. Precisei amadurecer emocionalmente até que chegou o ponto que os meus sentimentos mudaram.

Quando consegui me livrar desses sentimentos ruins,  os meus pensamentos já não eram mais ocupados no processamento de toda essa montoeira de lixo e fiquei livre para viver minhas experiências tomando decisões melhores e sem influências negativas. Esse foi o aspecto emocional.

Até aqui eu perdoei os erros dele e o aceitei. Porém, existiu um outro lado que até há poucos dias não ocupava meus pensamentos. Descobri que eu precisava também do perdão dele. Eu o feri e não entendia isso. Estive o tempo todo ocupada em me defender enquanto o feria também. Esse aprendizado foi como a cereja que faltava em cima do bolo chamado Perdão. O perdão é uma via de mão dupla, todos podem usufruir dos seus benefícios.

Quando somos feridos, podemos decidir perdoar. Quando ferimos os outros, podemos decidir por reconhecer as nossas falhas, exercitar a humildade e pedir encarecidamente o perdão ao ofendido.

O perdão que liberta é o perdão que traz consigo a oportunidade de mudar o rumo de uma vida. Enquanto estamos construindo essa vida nova, o passado dolorido está sendo esquecido e novas e boas lembranças estão sendo registradas em nossa memória.

Façamos do perdão uma prática comum, confessando as nossas falhas uns aos outros, orando uns pelos outros, para que possamos viver juntos, integrados e curados. Tiago 5:16

Por uma vida saudável e feliz!

 

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