abuso sexual

Este assunto está longe de ser agradável, porém é importante ser discutido quantas vezes forem necessárias. Muitas vidas têm sido afetadas negativamente após serem vítimas de abusos sexuais.

Uma busca por vítimas desta violência no google retorna mais de 516.000 resultados com muitos depoimentos de pessoas que sofreram e abuso sexual retorna 9.500.000 registros. Diariamente muitas crianças, jovens e adultos são vitimadas e suas vidas marcadas para sempre.

Conheci garotas que sofreram abusos dentro de sua própria casa, intimidadas por quem deveria garantir a sua segurança. Vítimas do pai, avô, padrasto, tio, enfim… normalmente alguém muito próximo.

Há muitos casos em que o crime é praticado pelo companheiro da mãe e esta ciente, abandona sua filha ou filho e escolhe permanecer com seu companheiro. Essa é sem dúvida, a maior dor, a dor da rejeição.

Meu caso aconteceu quando tinha por volta de 9 anos enquanto brincava na casa de amiguinhas, numa tarde de sábado.O agressor era pai das amiguinhas, pessoa de confiança dos meus pais, eles eram amigos na juventude, frequentavam o mesmo grupo de jovens na comunidade.

Não me recordo do rosto, mas me lembro do olhar dele e como aconteceu. Por medo, não contei a ninguém. Faço parte de uma geração que pouco ouviu falar sobre sexo dentro de casa, não tinha entendimento algum sobre o assunto e o que seria violência. Por anos senti muita raiva do cara, dos meus pais e de mim. Falei a respeito anos depois, quando o fulano estava sendo citado em conversas em casa, continuava sendo amigo dos meus pais e explodi com xingamentos e todo o sentimento ruim que ficou guardado. Lembro que minha mãe ficou em silêncio. Nunca mais ouvi o nome dele ou qualquer referência sobre o dito cujo. Ele de fato desapareceu das nossas vidas.  

A perda da confiança nas pessoas, o sentimento de estar só e ter que aprender a me resolver internamente sozinha foram as maiores consequências dessa experiência.       

Não há como apagar o que aconteceu, mas pode ser ressignificado. Ressignificar significa que aquela situação deixa de machucar tanto, as lembranças que despertam sentimentos ruins vão perdendo a força. Novos pensamentos, sentimentos e comportamentos começam a ter espaço e isso é feito baseado na percepção diferente do mundo, utilizando recursos próprios como a maturidade, amor, segurança.

Conheço mulheres que se refizeram através da busca do conhecimento e outras que se refizeram pelo amor que receberam de pessoas altruístas.

É muito importante entender um pouco sobre o assunto para estar apto a ajudar quem precisa ou se auto ajudar.   

O acolhimento sem julgamento é um bom começo quando nos prontificamos a prestar auxílio a alguém. Ouvir o desabafo, possibilitar o luto, ajudar a enxergar as possibilidades de prosperidade, ajudar a gerir os pensamentos e emoções para promover a mudança de comportamento, criar novas referências que tragam fortalecimento são maneiras de contribuir na recuperação e reconstrução da pessoa agredida.

É preciso ter paciência e saber blindar as próprias emoções para não afetar-se negativamente no processo de apoio. O objetivo não é assumir a carga, mas estar perto para ajudá-la a enxergar o caminho que pode ser trilhado e ampliar as chances de que ela se livre do peso que se acumulou sobre seus ombros.

Estamos todos expostos a todo tipo de violência em todos os ambientes que convivemos, não existe garantia que passaremos ilesos nessa vida. Mas podemos evitar muitos problemas.

Este tema deve estar presente nas conversas com nossos filhos rotineiramente. Devemos ensiná-los sobre a realidade da vida e tirar deles a ideia de que todos são bem educados e aprendem o “não matarás” em casa com sua família. Parte da estratégia de protegê-los é instalar neles o instinto de autodefesa, calibrando a percepção de situações de risco e devem buscar sair delas até mesmo buscando ajuda.

O amor continua sendo o maior remédio preventivo e curativo. Devemos nos preocupar em turbinar as emoções dos nossos pequenos para que, sendo submetidos a situações marcantes como essa, consigam se recuperar rapidamente e não sendo vítimas, sejam capazes de ajudar quem precisa.

Shirley do Vale  

Um comentário

  1. EU acredito , que os dias de hoje são bem melhores , estes abusos lógicos ainda existem , mas neste momento temos como se proteger e os pequenos são priveligiados por estar neste planeta no seculo 21 – com tanta informação , no seculo 20 era bem pior . e se pensar nos seculos anteriores ai sim e trisrteza como o ser humano era tão ruim – nos dias de hoje , vemos a luz no tunel e è só seguir . abrs

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