construtores de lares…

Não somos preparados para ser mãe e para os homens, pai. Não basta apenas desejo e disposição. É preciso preparo.

Quando assumi a maternidade sozinha, não fazia a menor ideia do que estava reservado para mim. Levei tempo para entender que na condição de mãe o eu ficaria em segundo plano. O exercício em voga foi pensar no outro em primeiro lugar. Confesso não ter sido simples e ainda me pego tomando decisões que afetam a formação do meu pequeno em prol dos meus próprios interesses para obter satisfações momentâneas.

Cada dia é um novo desafio encarando a maternidade como uma missão. Quando entendi e decidi assumir a maternidade como missão, a minha vida mudou. Percebi que do jeito que estava não seria uma influência boa ou segura. Daí veio a segunda maior decisão, investir em meu próprio desenvolvimento para me tornar a referência com chances de construir uma mente melhor.

Em minhas pesquisas encontro muitas informações importantes e principalmente atribuições que não havia ainda considerado e menos ainda desenvolvido as competências adequadas para aplicar e alcançar êxito. Quero falar sobre algumas delas aqui.

Existem atribuições comuns para pai e mãe, porém não se sobrepõe, são complementares. Uma mesma atribuição executada pelo pai e pela mãe tem efeitos diferentes na mente dos filhos. Eis aí a importância do trabalho em conjunto.

Fiquei bem surpresa com tantos detalhes e pude perceber o quanto podemos investir para melhorar nosso desempenho no exercício da função.

A criança é fruto do meio que vive, repete comportamento que assiste e o seu caráter é moldado pela influência. Então se não estamos atentos, contando mentirinhas, tirando vantagens sobre os outros aqui e ali, não devolvemos o troco corretamente, não reconhecemos nossos erros, não pedimos desculpas pelos erros que cometemos, não utilizamos de gentileza, não respeitamos filas, não cuidamos da organização da nossa casa, não preservamos nossos bens, não somos fieis ao próximo, não somos persistentes na resolução de problemas incluindo os mais complexos, certamente somos péssimo modelo e vamos formar uma mente com as mesmas características porém intensificadas, pois além da nossa péssima influência ainda contamos sem precisar pedir, com a ajuda da mídia para levá-los ainda mais longe. Com esforço zero formamos pessoas sem limites que se corrompem facilmente e não se importam com as pessoas ao redor. Encontrar pessoas assim por onde vamos é muito fácil. Se não é isso que queremos para futuro dos nossos, então precisamos mudar de atitude certamente.

Vou usar muitas vezes a palavra intencionalmente, pois devemos calcular nossos passos e atuar intencionando um resultado.

  • O pai e a mãe são os primeiros e principais professores dos filhos. Tenho certeza absoluta que a maioria de nós nunca refletiu a respeito e não consegue dimensionar o quanto pesa nossa influência na formação da mente das crianças.
  • A mãe está em posição de igualdade com o pai. A autoridade do pai e da mãe deve ser inquestionável e não devem medir forças entre si. A mãe deve respeitar a autoridade do pai e o pai deve fazer o mesmo em relação a autoridade da mãe. Os dois devem conscientemente trabalhar juntos para modelar a mente dos seus filhos.
  • Os laços familiares devem ser criados intencionando a construção de um lar. Estes laços não aparecem apenas por sermos do mesmo sangue ou morarmos na mesma casa. Não é algo automático, precisa ser implantado, incutido na mente e no coração. Somos naturalmente egocêntricos, então pensar no bem-estar do outro não faz parte da natureza da maioria de nós. Não que queiramos fazer o mal, mas não estamos preocupamos em promover o bem-estar pois o que importa é que eu esteja bem.
  • Enquanto esses laços são construídos, é também estabelecido um espaço de confiança e respeito mútuo. É quase impossível confiar quando há um ambiente permeado pela crítica, cobrança e julgamento.
  • O pai é quem deve direcionar a sua família aos pés de Cristo, pois ele é o sacerdote do lar. As mulheres estão mais abertas as questões religiosas, mas o principal responsável é o pai.
  • Me parece cada dia mais escasso um homem se portar como protetor e líder da sua família. Isso pode estar ligado ao fato de meninos serem criados por mães fortes e opiniosas (estando elas sozinhas ou não nessa jornada) que tudo resolvem ao invés de ensinar as suas crias a responsabilidade por resolver questões. Quando se casam e formam a própria família, precisam ser comandados. Esquecem ou até mesmo desconhecem que precisam tomar as rédeas e guiar sua herança.
  • É perceptível que pais unidos com seus filhos apoiando-os em sua jornada os faz chegar mais longe em menos tempo. E o apoio está relacionado a absolutamente tudo que envolver a vida do filho, estudos, diversão, relacionamentos, etc.
  • Os filhos devem ser educados para a prestação de serviços úteis a comunidade. É um desafio ensinar a utilidade quando estamos imersos numa cultura que prega o individualismo, além disso estamos bem ocupados nos afazeres diários e preocupados muitas vezes com nossa sobrevivência que sobra pouco tempo para ocupar nossos filhos no trabalho útil. Acabamos por mantê-los “controlados” diante de algum dispositivo eletrônico.
  • Os pais devem promover felicidade, paz e a alegria no lar. O sorriso, agradável tom de voz, palavras bondosas e animadoras e a delicadeza são formas para alcançar esse resultado. Algumas vezes a vontade é de encontrar novo lar e não voltar para o existente, pois paz é a última sensação que se tem. Sabe-se que ao entrar em casa as cobranças e as críticas começam. Reclamação de algo fora do lugar aqui, algo que foi feito de um jeito diferente ali, até a própria existência é questionada, pois a sensação que se tem é de estar atrapalhando. Quando alguém faz muita hora extra ou inventa muitos compromissos fora de casa, pode ser que voltar para casa seja de fato a última coisa que deseja.
  • Os princípios elevados devem ser ensinados aos filhos em casa pelos pais. A beleza do caráter, dignidade, graças da bondade e a afeição sobrepõe os adornos externos devem ser ensinados.
  • O pai deve ser um influenciador intencional, ter cada passo calculado para exercer as melhores influências na mente dos filhos, cuidando de tornar-se conselheiro sagrado. Para tornar-se autoridade, deve cuidar em se tornar exemplo a ser seguido. Para exercer influência, é necessário ganhar a confiança através da dedicação de tempo incluindo brincadeiras e demonstração de interesse real na felicidade dos rebentos. Normalmente o pai é o ser mais ausente por dedicar-se muito ao trabalho e seu desenvolvimento profissional.
  • Afeto, bondade, simpatia e autoridade no mesmo tópico parece até contradição. Porém, afeto, bondade e simpatia são ótimos elementos para se estabelecer como autoridade para alguém. Quando há necessidade de imposição e de força é sinal claro de que não há autoridade instituída. A obediência ocorrerá por escolher viver em paz e não por respeito. supervisao
  • Desapontamentos são importantes e as crianças devem ser expostas para aprenderem a lidar com adversidade o quanto antes. Não é jogar o ser humaninho na banguela e ver o que chega lá embaixo. Estamos falando em treinamento de mentes, então precisa ser supervisionado para capacitá-los no enfrentamento e tratativa dessas decepções que fazem parte da vida real.
  • O pai é encorajador e sustentador da mãe com a finalidade de tornar a vida dela mais aprazível e feliz, conservando nela a jovialidade, boa saúde e ânimo. Bem… raríssimo, não? O homem observa e descobre as necessidades da mãe e age para aliviar a sua carga. É o cara que não quer uma baranga ao seu lado e a incentiva a manter-se bela e formosa. É super comum ver homens buscando outras mulheres que se cuidam pois a sua já perdeu a energia cuidando de seus filhos, marido e da casa, não sobrando tempo e menos ainda energia para consumir consigo mesmo.
  • Os pais devem ser interessados em estudar as características de cada membro, descobrir as necessidades individuais e atuar individualmente. Cada filho tem necessidades específicas e devem ser tratadas de acordo e não de maneira generalizada. O que é dado a todos serve para poucos. É comum ouvirmos “eu não sei o que aconteceu com meu filho fulano de tal, recebeu a mesma educação de todos os seus irmãos e mesmo assim parece que não é meu filho”. Pois é! Faltou atender as necessidades específicas?
  • O controle das paixões deve existir para se tornar autoridade no direcionamento das mentes. Não adianta insistir com a criança para comer frutas, verduras e legumes quando você mesmo não come, não adianta ensiná-la a ser fiel quando você vive traindo a confiança das pessoas, não adianta pedir que seja honesta quando você não é honesto. É simples entender essa parte. O que não é simples é aceitar que para pedir mudanças você precisa mudar. E então???
  • O pai é quem dá aos meninos o benefício da sua experiência e varonilidade, não deixando inteiramente aos cuidados da mãe, esforçando-se em sua salvação.
  • No lar não deve ser permitido queixas contra os outros. Todos somos falhos e carecemos da graça. Isso é profundo, pois não temos moral para apontar o dedo para alguém. Dentro de casa muitas vezes nos sentimos a vontade para falar das pessoas e transformamos as refeições em palco de apresentação das falhas dos outros em forma de queixa e fofoca sem a intenção de agir para salvar.
  • As virtudes energia, integridade, honestidade, paciência, coragem, diligência, prestatividade, atenção, cuidados, constância, fidelidade e compassividade devem ser enxergadas na vida dos pais. Para nós mães, paciência é algo que transcende as nossas forças em vários momentos e carecemos de ajuda divina.
  • A mãe é quem tem maior poder para modelar o caráter e tratar do desenvolvimento da mente dos filhos. É a força vital e a atribuição mais sagrada.
  • Ambos são responsáveis por guiar e dirigir os filhos. Ensinando mandamentos e regras.
  • Os pais são responsáveis por manter a própria individualidade dentro da relação familiar. Esta é uma ação de extrema importância para manutenção da saúde mental.
  • Autoestima elevada é ensinada em casa. Temos dificuldade com esse tema, pois a confundimos com arrogância e temos medo de ensinar aos filhos a serem seguros com suas qualidades e defeitos.

Até aqui falamos do trabalho em conjunto, porém, a maioria de nós mães exercemos a função sem nossos parceiros e tenho ouvido muita história de mulher que tem abandonado seu lar deixando para trás até mesmo os filhos.

A função formador de mentes é complexa, e para se alcançar resultados consistentes exige-se empenho por longos anos. Por isso Deus formatou o exercício desta função utilizando práticas ágeis, ou seja, trabalho em equipe para garantir qualidade e facilitar a jornada para todos os envolvidos. Porém, como podemos dizer, deu ruim para muitos de nós.

A ausência do pai ou da mãe gera acúmulo de responsabilidades para quem fica. Porém, algo deve estar claro: pai não é mãe, mãe não é pai como sabiamente disse nossa ex-presidenta Dilma. Precisamos compreender que a influência é diferente e o resultado também.

Mesmo assim, não estamos perdidos para sempre e fracassados em nossos projetos. De maneira alguma! Precisamos nos esforçar beeeeeeem mais e adotar estratégias diferentes para alcançar os resultados. Além disso, Deus completa o incompleto que existe em nós!!!

Vamos falar mais sobre as estratégias que podemos adotar quando falta uma das referências.

Espero que esse post desperte a reflexão e promova verdadeiras mudanças como tem ocorrido em minha experiência maternal.

Até breve!

6 comentários

  1. Lindo Texto – Mas não podemos esquecer que o ser humano e livre de pensamentos e tem vontade própria. Os pais tem sim a obrigação de dar a opções de varios caminhos , pra eles se tornarem adultos quase perfeito .O que a acontece muito è que aquela criança que foi moldado só com um pensamento. E quando chega na Adolescência fica mas perdido do que se pode imaginar. A base de tudo è a educação com informação e dar varios opções , para que no futuro tenhamos uma geração de brasileiros felizes e com eticas , pois eu tenho quase certeza que os nossos politicos foram muiitos bem criados pelos os seus pais e nem por isto eles nos representam. abrs

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    • Verdade. Essa confusão acontece mesmo. Levamos tempo para nos situarmos no mundo com mais segurança quando somos criados em uma bolha. Precisamos explicar a dinâmica da vida desde cedo aos filhos e direcioná-los pelo melhor caminho ensinando-os a fazer escolhas baseadas nos melhores valores que foram imputados na mente deles por nós. Podemos estudar nas melhores escolas, mas valores morais aprendemos em casa, então investir em escolas caras está longe de ser sinônimo de educação plena. Precisamos nos dedicar mais no cumprimento deste papel. Obrigada pela sua participação aqui. Abraço.

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