assédio moral no ambiente de trabalho

precisamos falar sobre o assédio moral que acontece no trabalho cada vez mais.

vivenciei uma situação estressante que me chamou muito atenção em um determinado momento da minha experiência profissinal. não havia assistido nada como isso ainda.

rotineiramente os gestores eram convocados para uma reunião que teoricamente seria para avaliar os resultados até ali e discutir os próximos passos. só que não. o foco era dar broncas por não termos feito o trabalho como deveriamos fazer, ouviamos insinuações sobre a falta de capacidade dos profissionais e mais algumas ameaças.

foram alguns meses vivenciando esse tipo de tratamento e estilo de liderança.

observar as reações me trouxe outras descobertas. alguns se sentiam verdadeiramente incompetentes, despreparados para vivenciar as suas experiências profissionais e pensavam em desistir do seu próprio desenvolvimento, outros apenas se abatiam e reclamavam entre os colegas, testemunhei um dos gestores repetindo o mesmo estilo de liderança que segundo as palavras dele “começar a semana lembrando o peão de suas obrigações o faz pensar duas vezes antes de fazer de qualquer jeito”… além de revoltante, é muito triste viver num ambiente tão tóxico que faz a nossa produtividade cair absurdamente, nos desmotiva a continuar ali e afeta profundamente nossa saúde.

observei os efeitos disso em mim. quando recebia no skype “Shirley, vem aqui pf” me arrepiava inteira, sentia meu corpo tremer de nervoso, minha respiração mudava a intensidade e via meu dia se acabar. geralmente chorava sozinha, comentava com alguns amigos e sempre contava para meus pais em casa. me fez muito mal até que em uma das vezes não me calei mais, questionei o que estavamos fazendo de errado e a resposta foi “eu não sei, só sei que está errado”. chorei sem me preocupar com o amanhã. deixei lá naquele lugar as minhas lágrimas de revolta. com uma equipe trabalhando intensamente em um cenário muito complexo com processos em construção, muitas ferramentas para controlar as mesmas coisas, falta de direcionamento claro, falta de indicadores para notear nossa jornada, retrabalhos impostos, equipe carente de atenção e investimentos em desenvolvimento, enfim… ainda era chamada para ouvir que somos incapazes de fazer um serviço que valha.

o controle que o agressor consegue exercer sobre as nossas mentes é absurdamente poderoso. nos leva a questionar a nossa capacidade e compentência. faz nos sentir desmoralizados, incapazes e chegamos a acreditar que ele realmente tem razão.

em conversa com uma amiga advogada, entendi que deveria estudar sobre assédio moral. pesquisei sobre o assunto e tudo ficou claro como uma bela manhã de sol. a descrição do comportamento do agressor e o nosso, os agredidos, se encaixavam perfeitamente no contexto.

quero estimular a compreensão sobre o assunto. precisamos aprender a nos defender e fazer movimentos que limitem a ação dos agressores. precisamos dizer “Basta!” ou “aqui não, jacaré!!”. devemos impor limites conscientemente, pois estamos sendo afetados profundamente comprometendo nosso futuro, nos tornando profissionais brochados por alguém que também sofre de algum forma. alguém que por algum motivo não aprendeu a se relacionar e estimular as pessoas a se tornarem melhores a cada dia.

conheci relatos de pessoas que estão perdendo direito a aposentadoria fruto de perseguições em ambientes de trabalho. então os prejuízos ultrapassam os efeitos psicológicos.

precisamos nos movimentar.

nas pesquisas encontrei vários materiais como essa cartilha com muito conteúdo e bem explicado Assédio Moral no Serviço Público, e artigos publicados por advogados como Assédio Moral no Serviço Público é considerado improbidade, Dúvidas sobre Assédio Moral no ambiente de trabalho, Os Tipos de Assédio Moral, entre outros. leia esse material, é muito importante.

nestes artigos os advogados orientam como coletar provas para fazer a denúncia corretamente. não basta alegar que foi vítima de assédio moral, é preciso comprovar da maneira correta.

é também importantíssimo entender o que é caracterizado como assédio, pois cobranças por resultados de trabalho bem fundamentas não se enquadram nesse contexto. precisamos diferenciar mimimi de assédio. reclamar de cobranças feitas por superiores por resultados que foi contratado para entregar é mimimi. estamos falando de agressão, de violência psicológica, de submissão a humilhações.

vamos continuar cuidando da nossa segurança e da nossa saúde.

até breve!!

 

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