pendurando as minhas máscaras

honestidade, de forma bem simples, significa ser verdadeiro, ou seja, não mentir, não fraudar, não enganar.

recentemente tive contato com essa palavra durante meus estudos sobre saúde emocional e dentre todos os temas, foi o que mais me impactou e me fez consumir maior tempo pensando sobre quem eu tenho sido. me perguntei se sou verdadeira com as pessoas. a resposta imediata foi positiva, porém aprofundando em minha pesquisa interna, descobri que criava verdades para contar. nós podemos traduzir essa ação como criação das máscaras para usá-las perante a sociedade. esse entendimento me levou a outro questionamento: se estou sendo desonesta com as pessoas, então estou antes sendo desonesta comigo mesmo? e a resposta foi positiva também, felizmente. digo felizmente, pois naquele momento em que identifiquei essa falha, também descobri a grande oportunidade de liberdade.

usar máscaras é bem cansativo e somos impulsionados e pressionados a isso em todo momento. temos mais facilidade para lidar com as aparências do que com a essência uns dos outros.

busquei por muito tempo ser quem as pessoas gostariam que eu fosse e inconscientemente fui sufocando minha própria identidade. fui perdendo a minha essência, meu jeito moleca e leve de lidar com a vida foi sendo preenchido por alguém com várias máscaras para se defender.

a falta de maturidade emocional me levou, como leva a muitos, a caminhos bem tortuosos. as decisões são pautadas para manutenção de uma vida aparentemente perfeita, uma casa boa, um bom carro, uma carreira, uma família aparentemente feliz quando por trás de tudo isso está um buraco vazio que se traduz em uma casa que não é um lar, uma família que não é porto seguro, uma carreira que vira fuga para tentar ser bom pelo menos nisso. ou seja, uma vida “rica” e sem sentido. tudo construído com muito empenho e muita dedicação.

somos facilmente conduzidos pela sociedade para trilhar um caminho de acordo com definições externas.

aprofundando em meu reconhecimento pessoal sobre a honestidade, me perguntei como seria a minha vida se eu fosse exatamente como sou. primeira sensação que me veio foi a da liberdade, me vi voando como uma águia sem limites de território. isso já foi muito bom. o que mais? vi que tenho muito mais força e energia nas minhas verdadeiras características. também muito interessante!!! vi também que meus reais defeitos são mais toleráveis do que os defeitos que foram criados e/ou potencializados com as máscaras.       

como então ser honesta? como seria honesta comigo mesmo dali para frente? como seria honesta com as pessoas ao meu redor? ser honesta em novos relacionamentos é muito mais fácil que mudar perante os relacionamentos já existentes.

tomei a decisão e comecei. me livrei do esforço de criar e usar as máscaras. identifiquei as coisas que faço sem gostar e que poderia deixar de fazer sem causar impactos, então só parei de fazer. identifiquei as coisas que faço sem gostar e que poderia deixar de fazer porém causam impactos. essas precisei fazer mudança com mais empenho e dedicação e até com certo stress, pois afetava as pessoas ao redor. identifiquei as coisas que gosto de fazer e não fazia para não incomodar ou contrariar alguém e passei a fazer.

para identificar o que gosto e não gosto, durante os acontecimentos rotineiros presto atenção no que eu sinto e checo se fico incomodada ou bem. olho para o que sinto, pensamentos que tenho e comportamento. se me sinto mal é um sinal de que da forma que está, não está funcionando bem para mim e precisa ser mudado ou não deve ser repetido. se me sinto bem, também preciso avaliar, pois pode ser que esteja me sentindo bem fazendo algo que prejudica a mim e as pessoas que estão ao meu redor. no fim, tudo merece reflexão.

sabe aquele velho conselho: pense antes de falar? é isso. nada de novo não é? o que podemos fazer é detalhar esse conselho para ficar claro que precisamos olhar as emoções, os pensamentos e o comportamento.

o comportamento movido pelas emoções e pensamentos provocam efeitos externos, ou seja, afeta as pessoas ao redor.

os pensamentos e emoções não expressadas devidamente causam efeitos negativos na saúde mental e física. podem posteriormente levar a comportamentos explosivos e aparentemente sem sentido.

posso contar que no começo não soube me expressar com tranquilidade e em algumas situações importantes me comportei vergonhosamente, mas com o tempo fui pegando o jeito. e assim sigo aprendendo a ser honesta.

interpretar a si mesmo e transmitir a mensagem sem ruídos a si mesmo e aos outros é resultado de perseverante exercício diário até que vire hábito e aconteça sem esforço. inicialmente você pode se sentir estressado pois está agindo de modo diferente que o de costume. porém, quando você experimentar a leveza que a honestidade trás, você nunca mais vai querer usar as suas máscaras. pode colocá-las na parede para lembrar-se de quão pesadas elas são e como é bom não usá-las.

a honestidade te conduz a uma vida autêntica e com sentido.

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